Escritosdoporto's Blog

25 de abril

Posted in Uncategorized by Andreza Pereira on abril 25, 2010

No dia 25 de abril, Portugal celebra o fim da ditadura militar de Oliveira Salazar no país. Uma revolta pacífica conduzida por jovens oficiais em 1974 foi o marco do fim do regime. O evento é conhecido como “Revolução dos cravos” porque no amanhacer do dia 26 uma florista que levava cravos os deu aos soldados revoltosos que estavam nas ruas, eles então colocaram as flores no cano de suas armas. A imagem se tornou emblemática da Revolução e os cravos, seu símbolo.

Já na sexta-feira, as crianças saíam das escolas com seus cravos. Pela cidade, várias  pinturas, mosaicos e azulejos trazem a imagem. No Porto, a festa popular dos 36 anos do 25 abril  começou às 16h, na Av. Aliados, no centro da cidade, em frente à prefeitura. Músicos locais cantaram as músicas de protesto compostas na época, poemas políticos foram declamados e o povo gritou em coro contido “fascismo nunca mais, 25 de abril sempre”. Ao derredor do palco, bancas colhiam assinaturas para um referendo, pessoas ganhavam seus trocados com pipoca doce, amendoim e bebidas e partidos da extrema esquerda anexaram cartazes lembrando os portugueses da crise ecônomica, do achatamento dos salários, da diminuição dos subsídios de Estado, com frases que faziam entender que havia ainda uma outra revolução a ser feita. A palavra crise aparecia também pichada num monumento do século XIX, símbolo da invencibilidade bélica da cidade.

Ao perceber que eu tiraria uma foto de frente para o palco que mostrava a data, um senhor português insistiu para que eu não deixasse de levar à mão o cravo, me dando o seu.

Porto, Portugal 25-04-10

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Tuna da Universidade de Medicina de Coimbra tocando em Braga

Posted in Uncategorized by Andreza Pereira on abril 18, 2010

Os alunos de algumas universidades de Portugal  frequentam as aulas com essas roupas pretas, o traje acadêmico. É comum que nos finais de semana eles vão às praças e toquem músicas típicas nacionais para arrecadar dinheiro para a turma, vendendo também CDs com as gravações pra que consigam comprar instrumentos e viajar para as apresentações. Essa é uma apresentação da turma de Medicina da Universidade de Coimbra num sábado em que estive na praça da República da cidade de Braga. E tem também essa linda menininha portuguesa com suas intervenções na dança que eu não pude deixar de filmar, porque o meu coração é fraco pra crianças.

Da minha janela

Posted in Uncategorized by Andreza Pereira on abril 16, 2010

Da minha janela se vê copos-de-leite num matagal

Uma igreja ascendente

Casas com chaminés das que se desenhava quando dos 6 junto da macieira e do gato

Cores embaixo do sol

Cores embaixo do poste

Luz dentro da cor

Da minha janela se vê.

(É tempo de ver na minha janela)

Casa da Música

Posted in Uncategorized by Andreza Pereira on abril 12, 2010

E tem esse lugar que se chama Casa da Música. Mesmo antes de conhecê-lo, é certo que se ouça muito dele: da forma arquitetônica, da acústica, de como ele é por dentro. Você vai ao seu encontro esperando muito. E é muito. O projeto foi pensado pelo  arquiteto holandês Rem Koolhas e escolhido num concurso internacional de arquitetura em 1999. Em 2001,  Porto foi selecionada como a capital européia da cultura e o objetivo era que o lugar assinalasse esse ano, mas as construções só terminarem em 2005. Em 2010, o espaço pensado para abrigar somente música, faz cinco anos e conta com uma programação comemorativa extensa.

Neste domingo ensolarado, a Orquestra Nacional do Porto executou a quinta sinfonia de Tchaikovsky como parte do programa dos 5 anos.  A sala do concerto, toda meio branco-gelo, tem um pé direito tão alto, folhas de ouro em paredes bonitas de madeira, fileiras com espaços que os meus pés nunca tinham provado e  um fundo que parece de flores de origami por detrás da orquestra. Antes do início , o comentador da sinfonia nos preveniu de que seria muito difícil permanecer nas cadeiras quando um dos movimentos da sinfonia chegasse a uma valsa.Prometi mentalmente que iria me conter. Durante uma hora e pouquinho do concerto, o jovem maestro regeu com o corpo todo, todo de preto e nos momentos de ritmo mais intenso da música, ele era como quem ouvisse Metallica, um rockstar. Ao meu lado direito, uma linda menininha portuguesa  me olhou no final perguntando para quê tantas palmas e do esquerdo, um rapaz que escutou todo o tempo de cabeça baixa a um Tchaikovsky que nos falava, à frente, sobre como nada se podia diante do destino.

Na saída, a casa musical vira rampa. É notável o número de  skatistas e ciclistas que chegam, sobem e descem pelo pátio do lugar que tem umas das melhoras acústicas do mundo. Parte da programação é  transmitida ao vivo pelo site e fica gravada pra depois a gente poder dançar com o ar todas as valsas reprimidas.

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