Escritosdoporto's Blog

Olhos pra Paris

Posted in Uncategorized by Andreza Pereira on janeiro 6, 2011

   Chega-se a Paris pisando um solo irrigado por um daqueles esquichos rodantes de jardim. Dentre baguetes, salto Luis XV,Binoche, espartilho, brioches pros famintos de pão, mon cherry, o despudor da liberdade guiando o povo, cabeças monárquicas, la vie en rose,pierrot e Bardot, não há imagem que baste. Nossos pobres olhos igualmente encharcados de coisas pra lembrar não têm descanso na cidade esguichada pro mundo.

   “Paris é um lugar em que se tem a impressão de já ter estado porque tantos filmes, livros e histórias se passaram nela” foi como começou o nosso guia holandês. Acrescidos aos lugares que se visita porque ali aconteceu a queda da Bastilha, ou por expor uma chama eterna que queima pelos mortos nunca identificados nas duas grandes guerras ou por guardar os restos mortais de Napoleão, são os a que você vai porque foi o bar onde a Amélie Poulain trabalhou ou a ponte ladeada de cadeados presos por casais que inscrevem suas iniciais e jogam as chaves no rio Sena, em que a Carrie  encontra o namorado com seu vestido de tule verde.

  Amparam os olhos os ouvidos cheios de francês. Uma sombrinha de rendas ornaria com essas mulheres chamadas de mademoiselles. De todos os  meus “Do you speak english?”, apenas uma resposta afirmativa assertiva pra contrastar com os inúmeros “um pouco” num francês  um tanto desgostoso.

 Pra além dos lugares e da língua, têm as pessoas saindo das padarias com grandes  baquetes embaixo do braço, os caminhos tão longos de escadas, passagens, viradas e Edith Piaf nos metrôs, os bolos em forma de tronco de árvore, a quantidade enorme de queijos no mercado, os olhos multiformes seguindo os olhos da Mona Lisa, o croissant em todo o canto, um pão que se chama escargot,os seis chaveirinhos da Torre Eiffel gritados por um euro, açucar em pedrinhas, a temperatura negativa (que eu não conseguia imaginar assim como a eternidade e o universo expandindo ninguém sabe pra onde), as entradas com banana seca, passas e lascas de coco,o vinho quente, a Maya e o Raj falando “bonjour”, os lugares-comuns assumidos em noites com tanta luz.

  E cobrindo olhos, ouvidos e pele teve a neve que caía inocente de sua ciência de primeira neve. A minha primeira neve nessa cidade que esguicha pro mundo inteiro e que eu levo em olhos sem descanso.

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2 Respostas

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  1. luiz alfredo said, on janeiro 6, 2011 at 12:45 pm

    Ah! A primeira neve…

    Primeiro beijo, primeiro chocolate, primera prova (bombada), primeira neve… a gente nunca esquece…

    Assim como o bar da Amelie, la baguete, le fromage, le coc au vin avec du cebulets a la campagna, e tudo o mais.

    Mas, o que importa é que se possa vijar à frança só para dizer: DU IU SPIC INGLISH para uma naçao tao segura de si mesmo que, com apenas alguns falantes, é tem a sua lingua como uma das mais importantes do mundo. Hehehehe

  2. Juares said, on janeiro 6, 2011 at 10:47 pm

    O que eu faria no bar de Amélie?
    Creio que me sentaria de frente para a entrada, pediria uma café, despejaria mais açúcar que o necessário, só pra sujar a mesa. Depois, é claro, limparia tudo com meu indicador.


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